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O valor que se dá ao resultado da auditoria ISO 9001 de certificação

Updated: Feb 25

Com frequência vemos comemorações sobre o desempenho alcançado por organizações em auditorias de terceira parte. Mais que aquelas um tanto relacionadas à satisfação pelo sucesso na certificação, chama a atenção o enfoque que alguns dão sobre o número de não-conformidades, principalmente quando este é nulo. Então, passada a euforia após os trabalhos que consumiram recursos de tempo e outros, a vida volta ao normal. O dia a dia da operação continua, o mercado competidor continua voraz, os riscos continuam à espreita, os problemas demandam abordagem mais eficaz.


A reflexão sobre o valor agregado do sistema de gestão de qualidade deve ocorrer a qualquer tempo, ao cabo, em meio ou antes de um processo de certificação.


· A melhoria do desempenho das auditorias internas e a qualidade de seus findings, ano a ano, são considerados em seu benefício de contribuição tanto quanto o resultado “bom” da auditoria de terceira parte ?


· A Alta Direção está participando de fato do sistema, exercendo o comprometimento que se espera?


· Sua organização procurou o Organismo certificador ou auditor supostamente mais tranquilo ? Observou se a entidade certificadora é credenciada pelo Inmetro ? Sua consultoria tem vinculação estreita demais com o Organismo certificador ?


· Sua empresa produz registros para uso na auditoria ou para adequação em cima da hora ?

· Há procedimentos ou registros formalizados no sistema, mas que na prática não funcionam ou são desconexos ou não são usados na realidade dos processos ?


· Os softwares de gestão implantados conversam entre si ?


· A estrutura definida para os quadros de suporte às funções da qualidade é enxuta demais e mal tem tempo de apagar os fogos?


· A Alta Direção fica aborrecida só pelo fato de levar uma não-conformidade, independente do mérito do que foi encontrado ?


· Está havendo um exercício responsável e isento da obtenção, monitoramento e revisão dos requisitos e expectativas das partes interessadas ?


· A avaliação de riscos e oportunidades é algo de extrema dificuldade na gestão, como que uma grande novidade para a realidade dos negócios ? A reciclagem das ações projetadas já se espera que vai ser algo complicado de gerenciar suave e continuamente antes da próxima auditoria ?


· Os objetivos da qualidade e indicadores são submetidos a uma análise crítica profunda, com realimentação rápida e responsável na dinâmica empresarial ?


· O sistema de avaliação de seus fornecedores é lento, anacrônico, incapaz, não entregando prontamente os dados para decisão voltada a melhoria ?


· A gestão das não-conformidades e reclamações de clientes valoriza mais a rapidez do fechamento e números absolutos, do que o bom emprego das técnicas de avaliação de eficácia para um encerramento em bases sólidas, não temendo a aproximação maior das causas raízes ?


· No exercício da Análise crítica da direção, as coisas são arrastadas pela falta de conhecimento ou comprometimento, e fica-se com a sensação de que o evento acabou sendo um levantamento de histórico, com senso de que se perdeu muito tempo para atacar coisas que prejudicam a organização e que poderiam ter sido endereçadas bem antes no dia a dia?


Naturalmente há muitos outros pontos que eu poderia colocar, mas se você enxergou alguns problemas, cabe refletir sobre o valor que seu SGQ está entregando. Talvez a culpa seja em parte sua, seja pela sua visão às vezes viciada das coisas enquanto participando da Direção ou como engrenagem com poder de influência na moldagem do sistema.

Há que entender o Sistema de Gestão da Qualidade como um repositório dos benefícios das diversas ferramentas de gestão que existem no mercado. A certificação como um fim em si não tem muito sentido. O foco deve ser deslocado do resultado formal da auditoria para o que seu Sistema de fato é ou será.




Junho 2018, por Altair Ciro Moraes