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Controle seus custos da qualidade

Gerir - e bem - os custos da Operação empresarial é fundamental especialmente neste momento por que passa o país.


     Sua empresa mantém controle sobre o que gasta com avaliação, prevenção e falhas ?  O valor essencial de um programa de qualidade é determinado por sua capacidade de contribuir para a satisfação do cliente e lucros da empresa. Um programa de custos de qualidade objetiva assim melhorar a satisfação e aumentar os lucros.


     Os custos da qualidade são aqueles decorrentes de :


                   (1) Investimentos na prevenção de não-conformidades com requisitos.

                   (2)  Avaliação de produtos / serviços para conformidade com requisitos.

                   (3)  Falhas internas/externas no atendimento a requisitos.


     São exemplos de custos de prevenção: treinamento na função qualidade, desenvolvimento de planos de controle de processo, estudos de capabilidade, emissão de procedimentos etc. 


     Custos típicos de avaliação são: inspeção e meios de ensaio de recebimento, manutenção/calibração de equipamento de inspeção, testes de campo. auditorias de produto/serviço etc.


     Os custos das falhas internas / externas podem ser: rejeitos, retrabalhos / reparos, retestes / reinspeção, alterações de engenharia/projeto, gastos com reclamações de clientes, produtos / serviços rejeitados / devolvidos, erros de marketing / engenharia etc.

     Pode-se considerar , a grosso modo, que os custos de prevenção e os de avaliação seriam "fixos"; os custos de falhas seriam "variáveis".


      Os custos totais da qualidade podem representar algo entre 5% a 25% do faturamento da empresa, dependendo do ramo de atividade e outras particularidades.


     Em empresas que estejam necessitando de muitas melhorias, com nível ruim de qualidade, o custo das falhas é maior do que o custo da prevenção + avaliação. Na outra ponta, companhias que operem em região de perfeccionismo de nível de qualidade, o custo de prevenção + avaliação é superior ao custo de falhas, mas o custo total de qualidade não é o menor possível.  O desejado é estar na região de equilíbrio, onde o custo total da qualidade é mínimo, equilibrando o custo de prevenção + avaliação com o custo das falhas. 


     Novas tecnologias, automação, contribuem dentre outros elementos para a redução das falhas. Em Principles of Quality Costs, de Jack Campanella, existem estratégias para conduzir a zero os custos de falhas, investir nas atividades de prevenção corretas e reduzir os custos de avaliação de acordo com os resultados alcançados.


     Para quem não têm um programa de gestão de custos de qualidade, um caminho - entendendo a alta administração que seja benéfico - é iniciar pelo desenvolvimento da gestão de custos de não-qualidade, (Poor Quality Cost ou Non-quality costs), que abrange somente o segmento das falhas, tratado mais acima no item (3) . Pode-se começar devagar, como em um programa piloto, monitorando progressivamente mais elementos, desenvolvendo seu modelo e correspondentes procedimentos para chegar aos patamares mais reais do indicador específico estabelecido. Um líder para o programa deve ser designado e este interagiria com um representante financeiro (contabilidade ou controladoria), contando com o apoio da gestão da área escolhida ou da planta ou da empresa, de acordo com a abrangência determinada.


      Ao alavancar um programa de gestão de custos de não-qualidade, problemas ou limitações poderão ocorrer, como a ausência de importantes custos nos relatórios periódicos, custos não significativos incluídos, erros de medição, dificuldades para integração a sistemas de contabilidade etc.  Contudo, as vantagens podem ser enormes, a exemplo da maximização dos lucros, melhoria do uso dos recursos, promoção da execução do trabalho correto, subsídio ao estabelecimento de novos processos de produção, maior disciplina na validação de novos produtos, conhecimento crescente das perdas de componentes / matérias-primas valorizadas em pareto para priorização de ações, entendimento do custo de horas perdidas em retrabalhos diversos (possibilitando por exemplo o ressarcimento por fornecedores), obtenção de dados para escolha dos projetos mais importantes de melhoria, percepção dos reflexos financeiros das reclamações de clientes e devoluções de campo,  etc.


     Para quem já tem um programa de custos de qualidade, sempre há horizontes de evolução contínua. Se sua empresa não começou, o caminho é longo e não é fácil, mas os frutos são colhidos em cada trecho percorrido, desde o início.


Altair Ciro