Controle seus custos da qualidade

Updated: 20 hours ago

Sua organização mantém real controle sobre o que gasta com avaliação, prevenção e falhas ? O valor essencial de um programa de qualidade é determinado, dentre diversos pontos, por sua capacidade de contribuir para a satisfação do cliente, maximizar com consistência os lucros da empresa, contemplar verdadeiramente as partes interessadas etc. Assim, a gestão de custos de qualidade é algo fundamentalmente alinhado aos avanços organizacionais.


Os custos da qualidade são provenientes de :

  • Investimentos na prevenção de não-conformidades com requisitos.

  • Avaliação de produtos / serviços para conformidade com requisitos.

  • Falhas internas/externas no atendimento a requisitos.

São exemplos de custos de prevenção: treinamento na função qualidade, desenvolvimento de planos de controle de processo, estudos de capabilidade, emissão de procedimentos etc.

Custos típicos de avaliação são: inspeção e meios de ensaio de recebimento, manutenção/calibração de equipamentos de inspeção, testes de campo. auditorias de produto/serviço etc.

Os custos das falhas internas / externas podem ser: rejeitos, retrabalhos / reparos, retestes / reinspeções, alterações de engenharia/projeto, gastos com reclamações de clientes, produtos / serviços rejeitados / devolvidos, erros de marketing / engenharia etc.


Pode-se considerar , a grosso modo, que os custos de prevenção e os de avaliação seriam "fixos"; os custos de falhas seriam "variáveis".


Os custos totais da qualidade podem representar algo entre 5% a 25% do faturamento da empresa, dependendo do ramo de atividade e outras particularidades.

Em empresas que estejam necessitando de muitos avanços na gestão de qualidade, o custo das falhas é maior do que o custo da prevenção + avaliação. Na outra ponta, em companhias extremamente conscientes desde o projeto, o custo de prevenção + avaliação é superior ao custo de falhas, mas o custo total de qualidade não necessariamente é o menor possível. O desejado é estar na região de equilíbrio, onde o custo total da qualidade é mínimo, equilibrando o custo de prevenção + avaliação com o custo das falhas.

Novas tecnologias, automação, contribuem dentre outros elementos para a redução das falhas. Em uma das bibliografias, Principles of Quality Costs, de Jack Campanella, existem estratégias para conduzir ao mínimo os custos de falhas, investir nas atividades de prevenção corretas e reduzir os custos de avaliação de acordo com os resultados alcançados.

Para organizações que deveriam - pelo tipo de negócio -, mas não têm um programa sólido de gestão de custos de qualidade, um caminho seria iniciar pelo desenvolvimento da gestão de custos de não-qualidade (Poor Quality Cost ou Non-quality costs), que abrange somente o segmento das falhas. Pode-se começar devagar, como em um programa piloto, monitorando e controlando progressivamente mais elementos, desenvolvendo um modelo e correspondentes procedimentos para atingir patamares mais reais do(s) indicador(es) específico(s) estabelecido(s). Um líder para o programa seria designado e este interagiria com um representante financeiro (contabilidade ou controladoria), contando com o apoio da gestão da área escolhida e/ou da planta ou da empresa, de acordo com a abrangência determinada.

Ao alavancar um programa de gestão de custos de não-qualidade, problemas, resistências, limitações poderão ocorrer, como:

  • a ausência de importantes custos nos relatórios periódicos de suporte;

  • custos não significativos incluídos, prejudicando o foco;

  • erros de medição/quantificação, antes desapercebidos;

  • dificuldades para integração a sistemas de contabilidade para captura de dados;

  • necessidade de novas frentes de análise e solução de problemas relacionadas às perdas de alto custo relativo apontadas;

  • dificuldades para lidar com gestão profunda de não-conformidades, com técnicas eficazes, por questões ligadas a cultura organizacional;

  • indisposição ou receio da Alta Administração em abrir bases de custos às funções encarregadas da reunião de dados;

  • números escondidos nos processos da empresa;

  • reorganização de processos etc.

Contudo, as vantagens podem ser enormes, podendo compensar em muito as novas tarefas, a exemplo de:

  • maximização dos lucros;

  • melhoria do uso dos recursos;

  • promoção da execução do trabalho correto;

  • subsídio ao estabelecimento de novos processos de produção, medição, transporte;

  • maior disciplina e rigor nos processos de validação de novos produtos;

  • conhecimento crescente das perdas de componentes / matérias-primas e as reais causas (permitindo o planejamento de ações diversas);

  • entendimento do custo de horas perdidas em retrabalhos diversos (melhorando por exemplo o ressarcimento por fornecedores responsáveis);

  • obtenção de dados para escolha dos projetos mais importantes de melhoria;

  • percepção aprimorada dos reflexos financeiros das reclamações de clientes e devoluções de campo etc.

Para quem já tem um programa de custos de qualidade, sempre há horizontes de evolução contínua. Se sua empresa não começou, o caminho é longo e não é fácil, mas os frutos são colhidos em cada trecho percorrido, desde o início.


Altair Ciro